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Tunísia: Mulher violada é acusada de atentado ao pudor

Uma mulher violada por dois polícias em Tunes, na Tunísia, vai a tribunal, não na condição de vítima, mas de acusada… É que, na versão do ministério tunisino do Interior, o casal foi surpreendido pelos polícias numa “posição imoral”.

A vítima estava com o noivo dentro do carro quando três polícias a violaram, depois de terem algemado o companheiro. Num país em que a condição feminina é desprezada, a mulher encheu-se de coragem e apresentou queixa. Os agentes foram detidos, mas o resultado da queixa gera indignação.

A mulher, sob anonimato (sabe-se apenas que tem 27 anos e um mestrado em Gestão), garantiu em entrevista ao jornal tunisino Al-Chourouk que “estava vestida”. Aliás, estava cada um no seu banco, acrescentou o noivo, um engenheiro informático de 26 anos.

A televisão France 24 também conversou com o homem, que contou que os polícias lhe pediram 300 dinares (150 euros), acabando por lhe levar os únicos 40 (20 euros) que tinha. Enquanto um deles o segurava, algemado, os outros dois levaram a namorada e violaram-na. Para ele, esta acusação não passa de uma forma de pressão para que “retire a queixa contra os polícias”.

Caso não vai ser esquecido

“No fim de contas, esta mulher foi violada três vezes: quando foi detida no carro, que é um espaço privado, quando os polícias a atacaram e quando a Justiça fez dela uma acusada”, resume Zeyneb Farhat, da Associação Tunisina das Mulheres Democratas, à France 24.

Certo é que a história desta mulher vai marcar a da Tunísia por duas razões, sublinha Faiza Skandrani, da organização Igualdade e Paridade, ouvida pela Al-Jazira: é a primeira vez que uma mulher alegadamente violada por polícias leva o caso às últimas consequências e é também a primeira vez que as autoridades tunisinas tentam envergonhar publicamente uma mulher por apresentar queixa de uma violação.

 

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