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Teresa Morais: “Nunca fui discriminada mas assisti e conheci muitos casos”

 

Teresa Morais, secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, falou ao Diário de Notícias sobre a imposição do Governo em relação à presença de mulheres nos cargos da Administração Pública:

 

 

Para quando podemos esperar resultados práticos da imposição aplicada às empresas públicas a terem mulheres na composição dos seus conselhos de administração?

Após a sua publicação, as empresas terão seis meses para apresentar um registo da implementação destas orientações. E assim vai ser feita uma avaliação de seis em seis meses. O plano passa também por o Estado propor às empresas privadas, onde é accionista, que adoptem medidas de promoção de igualdade de género, ao mesmo tempo que irá fazer a mesma recomendação às empresas do sector privado cotadas em bolsa.

Porque sentiram esta necessidade?

Em 2007 e 2008 já tinham sido aprovadas resoluções no sentido de sugerir às empresas públicas ou do sector empresarial do Estado que adoptassem políticas de implementação da igualdade. Mas estas foram totalmente ignoradas. Tanto que Portugal tem neste momento menos de metade das mulheres em conselhos de administração das empresas, comparando com a média da União Europeia. E assim achamos que agora temos de ser imperativos para Portugal ter finalmente resultados nesta matéria da igualdade.

A solução poderá passar por quotas?

Se até 2015 nenhum efeito for registado, a União Europeia já garantiu que se passará para essa solução, embora não seja a solução mais agradável. E como Portugal está integrado na União Europeia, teremos de partir para essa opção.

Alguma vez se sentiu discriminada ao longo da sua vida profissional?

Nunca senti na pele essa discriminação. Mas isso não quer dizer que ache que isso não aconteça. Conheço e assisti a muitos casos desses e, por isso, tenho isso em consideração nesta batalha que travo quando aceitei ocupar esta pasta.

Como encara as palavras do cardeal D. Manuel Monteiro que defendeu que as mulheres deveriam ter horário reduzido para se dedicarem à função primordial de educar os filhos?

As mulheres têm actualmente um estatuto e um reconhecimento na comunidade que não pode agora ser abandonado. Por isso, não nego a importância de uma mãe na educação dos filhos, mas defendo que as tarefas têm de ser partilhadas entre um pai e uma mãe, de forma a que possa haver também um desenvolvimento profissional de ambos. O que foi defendido pelo senhor cardeal significaria uma desvalorização da mulher no mercado de trabalho e com isso não posso concordar. Custou muito às mulheres conquistar este papel que já têm e isso não pode ser agora retirado. Sou totalmente a favor de tarefas partilhadas.

Porquê a diferenciação em Portugal dos salários entre homens e mulheres?

Acho que se justifica pela ausência de mulheres nos cargos de decisão. Portugal continua a ser o país em que as mulheres ganham menos 20% que os homens, apesar da maioria das pessoas qualificadas no mercado de trabalho serem mulheres. E ainda temos muitas mais mulheres no desemprego e a ganhar menos de subsídio.

 

 

 

1 Comentário

  1. Teresa says:

    P: Alguma vez se sentiu discriminada ao longo da sua vida profissional?

    R: Nunca senti na pele essa discriminação. Mas isso não quer dizer que ache que isso não aconteça. Conheço e assisti a muitos casos desses e, por isso, tenho isso em consideração nesta batalha que travo quando aceitei ocupar esta pasta.

    Conclusão: Se nunca sentiu discriminação não deve considerar que o cargo tenha qualquer interesse… :( Convinha talvez ter lá alguém que conheça bem o que é a discriminação para poder falar com propriedade…. )

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