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Nobel da Literatura vai estar em Lisboa

Herta Müller, escritora alemã distinguida com o Prémio Nobel da Literatura em 2009, vai estar em Portugal, entre os dias 10 e 14 de Setembro, para apresentar o romance Já Então a Raposa era o Caçador. A sessão de apresentação da obra está agendada para 13 de Setembro, às 18h30, no Goethe-Institut, em Lisboa.

O livro revela os horrores do totalitarismo e os efeitos que os mecanismos de manipulação e opressão provocam na vida de cada indivíduo. A acção decorre num subúrbio na Roménia e a história gira em torno da professora Adina e a sua amiga Clara, uma operária fabril que se apaixona por um agente da polícia secreta. Quando o agente manda vigiar o grupo de músicos do qual Adina faz parte, a amizade entre as duas mulheres desfaz-se. É então que, em casa de Adina, aparece uma pele de raposa que progressivamente vai sendo mutilada e a professora sabe que está a ser ameaçada pela polícia secreta romena.

 

Título: Já Então a Raposa era o Caçador
Autora: Herta Müller
Editora: D. Quixote
Edição: Setembro 2012
Idioma: Português

 

Exposição mostra vida da autora

A partir de 06 de Setembro, na Biblioteca Camões, vai estar patente a exposição “O Círculo Vicioso das Palavras”, que documenta o percurso de Herta Müller, desde a infância na Roménia até à atribuição, em 2009, do Prémio Nobel da Literatura.

A mostra, que termina a 28 de Setembro, reúne documentos e fotografias pertencentes ao património da família da autora e contempla ainda entrevistas, onde a escritora fala sobre a sua vida na Roménia e na Alemanha, a emigração e a escrita.

A exposição integra ainda documentos dos serviços secretos da Securitate e colagens de Herta Müller, criadas a partir dos anos 80 e que revelam uma faceta menos conhecida da sua vida e obra.

Herta Müller nasceu em 1953, em Nichidorf, uma aldeia de minoria alemã na Roménia. Estudou Filologia alemã e romena em Temeswar e, desde 1995, é membro da Academia Alemã de Língua e Literatura de Darmstadt. Actualmente, vive em Berlim, para onde se mudou em 1987.

Em jovem, fez parte de um grupo de autores contestatários do regime, intitulado “Banat”, e, mais tarde, veio a perder o emprego como tradutora numa fábrica de máquinas por ter recusado colaborar com a polícia secreta do regime, a Securitate.

A estreia literária de Herta Müller aconteceu em 1982, com o livro de contos Niederungen, que descreve a vida asfixiante numa aldeia de minoria alemã a partir do olhar de uma criança – a obra foi, de imediato, censurada pelo governo comunista da época. A partir dos anos 90, a escritora começou a ganhar grande notoriedade internacional, quando os seus trabalhos começaram a ser traduzidos para mais de 20 idiomas.

A obra literária de Herta Müller assenta numa realidade que muito bem conhece desde pequena. O pai foi oficial das SS e a mãe pertenceu aos milhares de romenos alemães que foram deportados para os campos de trabalho forçado na União Soviética. Até o seu nome próprio se deve a uma amiga da mãe que morreu à fome no Gulag. Mesmo depois de se ter exilado, em 1987, na Alemanha, a escritora continuava a receber ameaças de morte.

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