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Mulheres africanas ainda olhadas como “vítimas”

As mulheres africanas ainda são vistas sobretudo como “vítimas” e não como “parceiras”, não sendo pedida a sua opinião para a resolução dos problemas, lamenta a chefe executiva do Fundo de Desenvolvimento para as Mulheres Africanas, Theo Sowa.

“Elas são fortes, inovadoras, corajosas e têm visão”, disse Sowa, em entrevista à agência Lusa, no final do Fórum de Mulheres, em Deauville, na Normandia francesa.  ”Quando não nos vêem assim, não somos tratadas como parceiras e não pedem as nossas ideias” para solucionar os problemas, mas as mulheres africanas têm “capacidade para lidar” com os dramas que enfrentam, assegura.

Pobreza, violência e conflitos sociais e políticos são desafios para as mulheres africanas, disse Theo Sowa, uma das oradoras da oitava edição do fórum mundial (com África como convidada especial), que juntou mais de mil participantes, sobretudo mulheres, muitas das quais em posições de liderança, para reflectir sobre a economia e a sociedade.

Sowa considera que os três dias de debate em Deauville foram úteis para que as mulheres de outras paragens passassem a ter “uma imagem diferente das africanas” e aprendessem com as suas “lições”. ”Podemos ter contextos diferentes e, portanto, algumas coisas serão diferentes, mas muitos desafios são os mesmos e as soluções são as mesmas, por isso, temos de trabalhar juntas”, defendeu, recordando que “as mulheres africanas movem o continente há gerações”.

 Se forem usados “100 por cento dos recursos humanos” africanos, nomeadamente das mulheres, os problemas do continente seriam ultrapassados, acredita.

 ”A África está a crescer, há um grande crescimento neste momento. Como mulheres africanas, teremos de garantir que o crescimento será equitativo e que as pessoas mais vulneráveis e com menos também beneficiarão, e que não se criará uma elite distante”, realça.

É preciso mudar conceito de liderança

A chefe executiva do Fundo de Desenvolvimento para as Mulheres Africanas reconhece “problemas de liderança” em países africanos, mas sublinha que é preciso mudar o próprio conceito de liderança: “enquanto continuarmos a achar que os nossos líderes são só os nossos presidentes e primeiros-ministros, não ultrapassaremos os desafios”.  Para “mudar o mundo”, é preciso que “as pessoas que mantêm a unidade das famílias e das comunidades, que têm integridade e visão”, sejam, também elas, líderes.

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