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“Guevedoce”, o terceiro sexo

Julianne Imperato-McGinley

Crianças que nascem raparigas transformam-se naturalmente em rapazes, numa pequena aldeia da República Dominicana. O “guevedoce”, nome dado pela comunidade local a este terceiro sexo, é um estranho caso da biologia, estudado por uma investigadora americana, que já revolucionou o tratamento do cancro.

Aos 12 anos, algumas das raparigas começam a mostrar características masculinas: a voz engrossa, os pêlos da cara crescem, o clítoris transforma-se num pequeno pénis e os testículos descem. O fenómeno, já com mais de 100 anos, foi estudado, nos anos 70 do século passado, pela investigadora e endocrinologista americana Julianne Imperato-McGinley.

Na origem da “guevedoce” está o facto de o gene defeituoso responsável pela produção da enzima 5-alfa redutase converter a testosterona na hormona DHT, o principal estímulo da próstata, explica a investigadora, num artigo científico publicado em 1974. Sem aquela substância, os bebés nascem com aparência exterior de meninas, embora nos órgãos internos e nos cromossomas sexuais sejam rapazes. Com a chegada da adolescência e o aumento da produção de hormonas androgénicas, o processo reverte-se, dando origem ao aparecimento de características masculinas.

A descoberta e estudo da “guevedoce” permitiu revolucionar o tratamento e prevenção das doenças da próstata, em particular a hiperplasia da próstata. Como a hormona DHT está envolvida nestas patologias, inibir a sua produção é precisamente uma das formas de controlar essas doenças. Ou seja, o que aconteceu naturalmente aos pseudo-hermafroditas, a farmacologia imitou, pelo que foi possível evoluir de intervenções exclusivamente cirúrgicas para o tratamento através de medicamentos e outros meios menos invasivos.

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