Diabetes no feminino

Vista como sinónimo dos excessos do mundo ocidental, a diabetes impôs-se, infelizmente, como a doença do século XXI. Mas como é encarada a diabetes no universo feminino?

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Um relatório divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (FID) dá conta de um aumento, na ordem dos 20 por cento, entre 2003 e 2006, do número de europeus que sofrem de diabetes, num total de 31 milhões de pessoas. A FID considera que esta é já uma verdadeira epidemia diabética em território europeu.

Em Portugal, 8,2 por cento da população tem diabetes, de acordo com os números de 2006, agora disponíveis. Em 2025, prevê-se que 9,8 por cento dos portugueses tenham esta doença.

Que mulheres estão em risco?

A diabetes é uma doença de tipo crónico, que surge devido à incapacidade do organismo em transformar toda a glicose (açúcar) presente nos alimentos, caracterizando-se, por isso, pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.

Ter diabetes não é, porém, sinónimo de um estado terminal. Uma atenção redobrada aos níveis de açúcar no sangue, visitas regulares ao médico e a adopção de um estilo de vida saudável e não sedentário são a receita certa para manter a doença controlada.

Apesar de a diabetes atingir cada vez mais pessoas, é possível delimitar certos grupos populacionais com maiores riscos de se tornarem diabéticos. As mulheres obesas, com tensão alta (ou elevados níveis de colesterol no sangue), com problemas no pâncreas ou que tenham familiares directos com diabetes, assim como os homens que tenham alguma destas características, deverão ter especial atenção e fazer despistes regulares.

No entanto, as mulheres têm um outro factor de risco que as distingue dos homens. Uma em cada 20 grávidas pode sofrer de diabetes gestacional, um tipo particular de diabetes que surge durante a gravidez e que, por norma, desaparece no fim da gestação.

A diabetes gestacional exige sérios cuidados que obrigam a futura mãe a adoptar uma dieta apropriada. Caso as grávidas com diabetes gestacional não tomem as devidas medidas de precaução, existe o sério risco de a diabetes de tipo 2 surgir mais tarde.

O que provoca, então, a diabetes gestacional? Essencialmente, a mesma causa da diabetes: a incapacidade do organismo em regular os níveis de glicose. As alterações hormonais do início da gravidez tornam manifesta essa falha, já existente mas ainda oculta, do organismo.

Quais os sintomas?

No caso de adultos, existem certos sintomas usuais da diabetes de Tipo 2, a mais comum nesta faixa etária. Estes incluem a sede e fome constante, fadiga, visão turva, comichão no corpo (muitas vezes nos órgãos genitais) e um urinar constante e em grande quantidade.

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Existem dois tipos de diabetes, além da já referida diabetes gestacional. A diabetes tipo 2, que é a mais frequente (responsável por 90 por cento dos casos), não obriga à dependência de insulina e o seu tratamento, na maioria dos casos, passa apenas por uma dieta alimentar e por exercício físico regular. Caso os valores de glicose não sejam controlados, o doente deve optar, depois de indicação médica, por medicação específica.

A diabetes tipo 1, insulino-dependente, é mais rara e aparece, com maior frequência, nas crianças e jovens. Ao contrário da diabetes tipo 2, este tipo não está directamente relacionado com hábitos de alimentação errados ou sedentarismo mas sim com uma manifesta falta de insulina. O pâncreas destes doentes deixa de produzir insulina em quantidade ou qualidade suficiente e a única terapêutica recomendada é à base de insulina externa.

A diabetes e a vida sexual da mulher

Ter diabetes representa também repercussões na vida sexual. Se no homem a doença prolongada pode resultar em disfunção eréctil ou ejaculação precoce, nas mulheres podem ser frequentes as infecções vaginais, fungos e falta de interesse sexual, tanto por causa dos altos níveis de glicose, que podem fazer com que a mulher se sinta cansada, como por causa da secura vaginal.

Caso uma mulher com diabetes queira engravidar, tem que saber, à partida, que precisa de monitorizar regularmente os níveis de colesterol, açúcar no sangue e o funcionamento dos órgãos principais do organismo, para que possa levar a cabo uma gestação segura.





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